// Protagonismo e submissão

Há 500 anos atrás, no século XVI, quando se deu o início da Reforma Protestante, muitas mulheres puderem contribuir de maneira a introduzir os ideais da reforma em suas áreas de atuação.

E o que mudou de lá pra cá? Muita coisa. Desde os primórdios da humanidade até hoje a mulher muitas vezes foi (e continua sendo) considerada como inferior ao homem. A própria igreja romana endossou muito essa ideia, pelo fato de considerar que o pecado entrou no mundo pela mulher. E esta interpretação da narrativa de Adão e Eva é um grande equívoco que influenciou o pensamento de que a mulher deveria ter sua atuação diminuída, ou até mesmo anulada, em todas as áreas da sociedade: social, política, econômica e até religiosa.

Pra resumir, a mulher servia para os afazeres da casa ou para realizar as obras sociais da igreja. E sim, uma mulher desempenhando essas funções sabe fazê-las muito bem. Mas, há algo mais reservado para a mulher? Acredito eu que sim.

A Reforma Protestante possibilitou muitas mudanças para a mulher. A ideia de que o sacerdócio agora é universal, ou seja, toda e qualquer pessoa tem caminho direto a Deus e não precisa de intermediários e também que todos são representantes de Deus aqui na Terra, através de suas atitudes de serviço e amor ao próximo, trouxe a possibilidade das mulheres se engajarem nas atividades eclesiásticas (e em outros setores da sociedade também). Agora a mulher passa de uma simples “doméstica” para alguém que contribui com os acontecimentos da história.

De todas as mudanças que acredito eu terem acontecido pós reforma, eu gostaria de trazer aqui 2 aspectos que eu acho de suma importância e que são muito relevantes para que as mulheres assumam seus papéis em casa, na família, na igreja e na sociedade.

Os 2 aspectos são: protagonismo e submissão. Vamos começar pela submissão, uma palavra que acabou se tornando sinônimo de “ser seva de alguém”, ou as vezes até pior do que isso, ser escrava. Mas graças a Reforma, que dá a oportunidade da Palavra de Deus ser traduzida e acessível a todos, podemos ter agora o entendimento de que quando Deus nos chama a ser submissas não é essa a vocação que Ele quer nos dar: de sermos escravizadas pelos desejos e vontades de outrem.

A submissão está mais ligada a “quem eu sou” do que ao “que eu faço”. E muitas vezes ficamos focados no FAZER como se isso traduzisse quem somos, mas na verdade a atuação de Deus na nossa vida quer inverter esse pensamento: primeiro Deus quer construir quem EU SOU, e consequentemente, eu vou fazer aquilo que cabe ao meu ser realizar.

Logo submissão diz respeito a entender que, sabendo quem eu sou, tudo que eu fizer vai glorificar a Deus. Então, enquanto esposas, somos as ajudadoras de nossos maridos de maneira que potencializamos neles a melhor pessoa que eles podem ser e, assim, estamos realizando uma vocação que é própria nossa, da mulher, da melhor maneira possível. E, além de esposa, você pode descobrir quem mais você é e de maneira submissa, continuar executando a sua vocação. Sendo filha, irmã, mãe, dona casa, empregada ou patroa, ou em qualquer outra expressão de trabalho que houver…

Entendendo que a submissão é um chamado para a mulher de serviço e amor ao próximo, agora ela pode se tornar protagonista da história, sendo aquela que vai executar o que cabe somente a ela fazer. A mulher é, por natureza, um útero. Não somente o órgão útero que está no abdômen de seu corpo, mas de maneira figurativa, a mulher é um solo fértil; todas as sementes que lhe são lançadas na sua vida ela sabe, e muito bem, fazer com que essas sementes sejam geradas e, depois de um tempo, dão a luz a um fruto. Porque sendo mulher, ela está submissa a essa vocação.

Então, para finalizar, gostaria de deixar aqui 2 recados. Primeiro, para você mulher: seja quem Deus te chamou para ser, fazendo de modo excelente aquilo que cabe somente a você fazer: ser mulher, ser filha, ser esposa, ser mãe, ser dedicada ao lar ou ser dedicada a uma carreira profissional, enfim… em todo e qualquer trabalho que for realizar, seja submissa e protagonista! Não fuja da sua vocação e faça servindo a Deus e ao próximo, com sabedoria para saber distinguir se há alguma semente que não deve ser gerada.

E segundo recado, especialmente aos homens, todos os homens, não só os casados, mas a qualquer homem, pois com certeza todos tem alguma mulher que faz parte da sua vida, seja sua mãe, sua irmã, sua filha, sua esposa, a irmã da igreja, a vizinha ou alguma amiga ou colega: sejam bons “agricultores” que lançam sementes boas nas mulheres, de respeito, de valorização, de reconhecimento e de dignidade. Porque a mulher vai gerar um fruto. E se a semente que ela receber for ruim, vai nascer algo ruim, porque ela é um solo fértil e isso faz parte da sua vocação. Então sejam dignos das sementes que vocês têm e semeiem boas sementes nas mulheres que fazem parte da vida de vocês.

Que a reforma continue dentro de nós, sempre!!!

 

Marina Gennari S S Carlos

@marinabelina | Uberlândia